Último dia

Todo dia é um último dia em determinada circunstância. Um dia há muito tempo, você saiu para brincar com os seus colegas de rua pela última vez e nem percebeu. Outro dia você falou com o seu melhor amigo e se despediu dando um tchau, como quem espera por outro reencontro… O último dia não necessariamente será algo ruim, pode ser um dia no qual você se sentirá livre após um relacionamento que só te fez mal, ou o último dia daquele dia que foi o seu casamento, certamente se lembra da festa e de toda alegria que havia naquele momento.

Todo dia é o último dia!

Nesse exato momento existem por aí diversos últimos dias. Alguns são bons e trarão de volta momentos únicos vividos, outros, no entanto, são de sofrimento e causam tristeza e dor – morte, separação, saída de um trabalho, mudança de cidade, último encontro, último abraço, último sorriso, uma última fotografia. Não adianta temer o último instante, esse tipo de acontecimento é inevitável, mas podemos nos preparar e fazer sempre o nosso melhor para que, quando aconteça, tenhamos força e condições de nos mantermos firmes.

Últimos dias às vezes simplesmente acontecem, sem aviso prévio, sem indicativo, sem nada que mostre que ele irá acontecer. Nesses casos, a dor é maior ainda. É uma dor que nos afunda e parece que vai imobilizar para sempre, ficamos sem forças para continuar, buscamos o silêncio de um quarto vazio, mas uma hora esse silêncio incomoda.

Faça um exercício e lembre dos seus últimos dias… Da última vez que você saiu com seus amigos e curtiram ao máximo sem preocupação alguma, da última vez que passeou por uma rua bonita em um lugar especial, da última vez que saiu para jantar fora com alguém que gosta, da última vez que convidou aquela pessoa que te fez tão bem para fugir no meio da noite apenas para ficarem juntos, da última vez que pôde aconselhar um amigo quando ele mais precisou, da última vez que conheceu alguém especial.

Você nunca saberá o valor de um momento até que ele se torne uma memória.

Esse acúmulo de últimos momentos, com o passar dos anos, tornam-se memórias que se eternizam nos corações dos envolvidos em determinada situação. Essa memórias podem trazer alegria e um sentimento de euforia lá na frente, quando eventualmente, esquecermos de quem já fomos um dia. Devemos criar boas memórias para nos mantermos são. As memórias ruins também têm sua utilidade, nos ensinam e nos fazem melhorar, sem elas não poderíamos acertar a cada tentativa, ficaríamos presos em um loop eterno de erros e mais erros, sem sair do lugar.

Não devemos esperar até a última oportunidade do último dia para resolver algum problema, com o tempo isso corrói e tira nossa paz, são dias perdidos. Nunca saberemos quando será nosso último instante – de qualquer tipo que seja – desde àquele que define a sua trajetória de vida, ou àquele que nos leva dela. Devemos saber aproveitar cada dia como se fosse o último, e buscar fazer a coisa certa como se fôssemos viver para sempre.

Risco extremo, prazer máximo

Quem já fez algum esporte radical, ou qualquer outra atividade que envolva risco extremo, sabe que existe um momento que é muito importante para quem a realiza. Certamente, existe uma fração de tempo imaginária que determina e define o resultado desejado, ou o resultado catastrófico. Imagine um paraquedista segundos antes de saltar do avião, e segundos antes de puxar a cordinha que abre o paraquedas, é o instante máximo de tempo que vai fazer com que ele alcance o resultado de satisfação e euforia extrema, ou tristeza.

Só ganha quem está disposto a arriscar!

Muitas vezes passamos por momentos assim e não nos damos conta, claro que não com a mesma intensidade, ou noção de perigo iminente, mas que possibilitam os mesmos tipos de resultado: caso tomemos a decisão correta, obtemos êxito, caso contrário, ficamos com um sentimento de amargura por não ter conseguido fazer o que desejávamos naquele momento, ou ainda, muito pior, em alguns casos podemos perder muito mais do que estamos realmente dispostos.

Para chegar nesse ponto de decisão é preciso muito preparo e controle emocional. Mesmo tudo em perfeito equilíbrio acontecem adversidades para as quais nunca nos preparamos o suficiente e que só saberemos como lidar no instante em que elas aparecem.

Imagine um mergulhador iniciante que vai fazer o seu primeiro mergulho junto com um instrutor bem capacitado e preparado em águas até então calmas e sem histórico de ataques, legal né? E se do nada aparecer um tubarão? Como cada um vai lidar com a situação? Não sabemos. Entenda, mesmo com todo o preparo do mundo, momentos adversos que promovem satisfação têm junto de si instantes de risco máximo que não sabemos como lidar quando acontecem.

Esse único instante carrega consigo não só uma vontade momentânea mas, toda uma bagagem de sonhos, desejos, esforços, renúncias em prol de algo maior, algo que nos permitirá alcançar níveis maiores de felicidade que só são possíveis de serem vividas após a transposição desse momento. Quando isso não ocorre, o acúmulo de desejos pode se tornar um acúmulo de frustrações e arrependimentos que nos deixam ansiosos, tiram o sono e, nossa paz.

Como é de conhecimento de todos “UMA OPORTUNIDADE PERDIDA NUNCA VOLTA”. Aqui oportunidade pode ser o que a pessoa julgar melhor para si, a realização de um sonho, sensação de adrenalina ao extremo, uma felicidade sem tamanho, um objetivo maior do que todos. E ali, bem no canto está presente o risco máximo daquele instante, pronto para ser testado, passar por ele nos deixa mais perto do que tanto desejamos.

Seja importante

Tem um livro do professor Mário Sérgio Cortella chamado “Viver em paz para morrer em paz”, e lá ele faz um questionamento muito válido para todos nós, a pergunta é:

” – Se você não existisse, que falta faria?”

Quando a gente lê pela primeira vez, talvez a importância e profundidade dessa pergunta passem desapercebidos, mas à medida que os anos vão passando, os objetivos vão sendo alcançados, outros sendo definidos, prioridades e relacionamentos sendo revistos, a gente se dá conta que naturalmente pensamos dessa maneira, alguns passam a temer a morte, mas não nos preocupamos com a nossa importância na vida das pessoas, apenas com a nossa partida.

Importe-se com os outros e serás importante!

Morrer todo mundo vai, devemos priorizar as coisas que temos poder de decisão e ação direta. Precisamos perceber as coisas com as quais devemos gastar tempo: relações, ensinamentos que queremos passar aos nossos filhos, momentos alegres e de comemoração com pessoas próximas. Tudo isso acumulado ao longo dos anos gera lembranças e nos dá um sentimento de nostalgia de uma época em que, pelo menos naquele retrato do tempo, a felicidade existia.

Não devemos nos preocupar com nossa morte, mas sim com nossa importância. Quem é importante faz falta, fica sempre na memória e no coração, é incorporado e se eterniza junto àqueles que permanecem.

A palavra importante tem sua origem no Latim importans, de importare, “ser significante em”, originalmente “trazer para”, formado por in-, “em” + portare, “levar, carregar”. E como fazer para se tornar importante? A resposta é: importando-se com os outros, com as palavras ditas nos momentos difíceis, nos risos partilhados em momentos de alegria, nos ensinamentos passados adiante, no companheirismo e cuidados quando necessário.

À propósito, ser importante não é o mesmo que ser famoso. Existem pessoas importantes que não são famosas – trabalhadores, pais, mães, filhos, estudantes, assim como, existem pessoas famosas que não tem nenhuma importância para você. Isso é muito nítido nos dias de hoje com tanta exposição e compartilhamento de tudo a todo instante, muitas vezes, aplaudimos, idolatramos e ficamos cegos ao ponto de esquecer nossas relações pessoais e momentos que verdadeiramente agregam em nossas vidas.

E mais, não precisa estar junto a todo instante querendo preencher todos os momentos da vida das pessoas, olha o exagero. Tem pessoas que nos alegram com a sua ausência, outras só de lembrar do jeito, outras pessoas já estão mortas, mas não sabem disso, já não amam, não trabalham, não sentem que tem um propósito maior de vida, apenas passam pelos dias… É como já foi dito: “O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo.”

Aprende a viver bem, e bem saberás morrer.

confúcio

Se vamos morrer com toda a certeza, então vamos fazer a máximo possível para termos a vida dos nossos sonhos, sendo importantes para nós – num primeiro momento – e, em seguida, nos tornarmos importantes para aqueles que queremos bem. Existe vida mais fácil, vida melhor, vida mais rica, mas de nada adianta se não estivermos em paz conosco, não pudermos nos eternizar na vida das pessoas e, tomar uma taça de vinho no fim do dia. Sejamos importantes!

Realize os seus desejos

Viver, dependendo do local onde se está, parece cada dia uma tarefa mais difícil. Estamos cercados de problemas dos mais variados tipos: sociais, financeiros, políticos, pessoais… E nessa imensidão de problemas, às vezes, não nos permitimos viver as coisas que desejamos para nós. É totalmente compreensível, chega uma hora que a gente cansa e não aguenta mais nadar contra a correnteza.

Neste cenário, eventualmente, acabamos nos deixando levar por sonhos e vontades de outras pessoas, podendo ser familiares, ou os chamados “influenciadores”. Buscamos conhecimento, queremos mudar nossa rotina, nossos hábitos e costumes de uma hora para outra, com muita empolgação, mas muitas vezes, sem a motivação necessária que nos faça permanecer nesse novo caminho. Compramos uma ideia mas, muitas vezes, não plantamos a semente da mudança dentro de nós.

Entenda, não digo que isso é ruim, mas precisamos ter a certeza de que essa é a mudança que queremos, ou se estamos apenas animados com uma possibilidade que nunca passou antes pelas nossas cabeças. O ponto de reflexão aqui, é a incorporação de uma vontade maior que nunca foi nossa. A partir daí, passamos a desejar objetivos e buscar metas para satisfazer uma vontade adquirida de terceiros, e não nossa de fato, entende?

Qual o problema disso? As consequências que virão serão responsabilidades nossas. Mudanças de objetivos, requerem mudanças de atitudes, de pensar, posicionamentos, comportamento e aos poucos, nos vemos cercado de obrigações para cumprir achando que isso nos levará onde desejamos. Na verdade, a gente precisa identificar em nós, o que nos faz bem e priorizar as atitudes, maneiras de pensar, planejar os objetivos para aumentar a nossa satisfação. Por mais difícil que possa parecer, funciona ;D

Não viva de sonhos, tenha capacidade própria de realizar todos os seus desejos.

E por que isso acontece? É aquela história: a grama do vizinho é mais verde. Desejar o que é do outro parece mais fácil e melhor. Parece que já vem pronto com tudo o que precisamos. É mais convidativo ao sentimento de euforia, alegria instantânea, nos dá sensações que nos fazem lembrar de como era quando jovens e libertos, é animador… Acredito que doses moderadas desse sentimento nos propicia um gás extra, além do necessário, pode provocar frustrações e arrependimentos.

Desistir é uma opção

Desistir é uma palavra forte. Muitas pessoas não aceitam nem que possa fazer parte do seu vocabulário, dia a dia, dicionário, seja lá o que for. Acredito que isso aconteça devido à criação que temos durante toda nossa vida, da necessidade de sempre vencer, buscar nos esforçar para sermos “alguém”, termos sucesso a todo custo, excesso de rivalidade que às vezes nem sabemos contra quem estamos competindo, simplesmente vamos à luta e, alguns, ficam perdidos, sentindo-se sós, presos em sonhos e vontades que não são seus.

Mesmo se desistir é preciso continuar!

Tome como exemplo uma viagem, todo mundo diz que: “Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor”. Claro que não tem comparação uma desistência a um retorno de viagem, mas a ideia que quero passar é a de que regressar é bom. Desistir de uma atividade, trabalho, rotina, ou mesmo um projeto de vida, pode ser um regresso que a gente nem sabia que precisava, começar do zero nem sempre é do zero mesmo, a gente sempre carrega um pouco de experiências, aprendizados que nos tornam mais sábios (espera-se) do que antes.

A vida é uma só pra gente se limitar, em qualquer aspecto. Precisamos experimentar coisas novas para descobrir do que somos feitos de verdade, a que grupo pertencemos, quem queremos ter ao nosso lado, o que queremos realizar. Tudo isso requer que a gente desista de alguma coisa, e tudo bem. E falando de verdade… Ninguém liga quando você tem sucesso, ou alcança algo que almeja, mas se você falhar muitos aparecerão para julgar.

Cada um sabe o esforço que tem que fazer para se permitir começar de novo, existem custos envolvidos, sentimentos e relações que precisam ser considerados, e se desvencilhar desses laços é difícil. Como diz na música: “Cada escolha, uma renúncia”. Não precisamos ter tudo, mas sim saber desfrutar o melhor do que nós temos para enxergar o que queremos alcançar, no meio disso, teremos que desistir de alguns objetivos para realizar outros, e tudo bem!

Desistir de tudo às vezes é um caminho para um novo recomeçar…

Desistir é um suspiro profundo que nos permite recomeçar, tomar um fôlego para uma reflexão e nos mostrar onde erramos e o que podemos fazer para melhorar. A partir daí, cabe a cada um, decidir o que fazer com essa oportunidade. A vida não é uma linha reta de sucesso e prosperidade, cercada de flores. Tá mais pra uma esteira gigante que reveza a velocidade entre rápido e devagar, com diferentes obstáculos que se não nos derrubarem, nos ensinam, e se quisermos flores, teremos que plantar!

Banho de chuva

Banho de chuva é aquele desejo infantil que nunca é saciado. Quando crianças, desejamos a todo custo tomar um banho desses não é verdade? É aquele banho divertido, na rua com os amigos, correndo pra lá e pra cá, sem preocupação alguma. É o banho que alivia, e nos faz rir mesmo sem motivo, é um banho raro e difícil de ser tomado, mas quando aparece a oportunidade todos os nossos esforços se direcionam para aquele momento.

A vida é curta demais para não se tomar um banho de chuva!

Ao longo dos anos seguintes ao da nossa infância, esses banhos vão se tornando cada vez mais raros, ficamos mais cautelosos e passamos a ter medo da água que vem dos céus. Quando fica muito tempo sem chover, carrega para baixo partículas de sujeiras que flutuam no ar, quando o tempo está frio, podemos pegar um resfriado, ou uma gripe, e assim vai. Problemas e obstáculos aparecem nos impedindo de sorrir. Para as crianças um banho de chuva nunca é visto como algo ruim.

Devemos ter cuidado para não carregar esse sentimento a toda e qualquer situação de nossas vidas. Preocupações, dificuldades, tristezas, chateações sempre vão existir, e muitas vezes para aqueles problemas que parecem não ter solução, só precisamos dar um tempo, esfriar a cabeça, clarear as ideias, brincar um pouco, sentir a chuva cair sobre nossas cabeças, levar com ela as angústias e disfarçar nossas lágrimas.

Um banho de chuva levanta lama do chão, suja a roupa por completo, ensopa os sapatos. “Sapatos?” – Não! Banho de chuva se toma descalço, com os pés no chão, sentindo o cheiro de mato, cabelo bagunçado, corridas alegres, quedas e escorregões, com felicidade e risos espontâneos. Ao mesmo tempo que o banho de chuva lava a alma, tem a capacidade de regar bons pensamentos. Melhor que um banho de chuva – talvez – só um banho de cachoeira!

“Um banho de chuva pode ser mais eficaz do que anos de terapia “

Caroline Olias

Crescer nos tira muito mais do que possamos imaginar, vamos nos distanciando de quem nos protege, nos coloca em situações com as quais não sabemos lidar, nos desafia a sermos pessoas melhores quando nem sempre queremos, ou não temos forças para ser. Uma das poucas coisas que nos liga às lembranças do início de nossas vidas é um banho de chuva. Liberte a criança que existe em você, um banho de chuva pode ser mais eficaz do que anos de terapia!

Seja a paz

Paz pode ser definida como: “estado de calma, ou tranquilidade, ausência de perturbações…” Mas como a gente pode atingir um estado de paz nos dias de hoje? Onde cada vez mais temos males de todos os lados, com o vizinho, por motivos políticos, desagrado com comportamentos adversos, e tristeza diante de situação extremas pelas quais passamos? É complicado esperar paz de um meio que só propaga conflitos e excessos com os quais não sabemos lidar.

Estar em paz é estar bem consigo mesmo.

Algumas pessoas recorrem à prática de atividades que as tranquilizam, ou ainda, exercícios físicos para extravasar a energia e conseguirem relaxar. Tudo isso funciona e é muito válido que façamos coisas que nos façam sentir bem. Afinal de contas, o mundo não liga para a sua dor, só você!

O budismo ensina que a paz vem de dentro da própria pessoa, e que tentar procurar fora é perca de tempo. Não devemos ocupar a nossa mente com bobagens nem desperdiçar nosso tempo em vão. Muitas preocupações iniciam por conta desses conflitos internos que não são administrados como deveriam, e quando ocorrem, podem causar ansiedade, tristeza sem motivo aparente, nervosismo, falta de ação diante da vida.

Para estarmos em paz com o todo, primeiramente, precisamos administrar nossos conflitos e medos internos de modo que fiquemos em paz. Isso permite que não nos percamos pelo caminho, ou a cabeça em momentos de aflição. Os momentos difíceis servem para nos fazer crescer. Nunca estaremos preparados para quando acontecerem, a dor que trazem e o sentimento de impotência sempre vão existir e, nessas horas só o que nos sustentará é a nossa paz!

Nem mesmo o seu pior inimigo pode machucá-lo tanto quanto seus próprios pensamentos.

Recomeço

Recomeço é uma palavra formada pelo processo conhecido na língua portuguesa como justaposição. Nele, juntamos o prefixo de origem latina “re” com a palavra “começo”, derivação do verbo começar. O prefixo utilizado apresenta três significados que podem variar dependendo em qual palavra é utilizado: 1) repetição, 2) reforço e 3) retrocesso, praticamente a mesma coisa.

Por mais longo que o caminho seja, ele sempre poderá ser percorrido!

Não que seja necessário saber o que cada palavra quer dizer, mas quando a gente conhece o que está por trás, consegue perceber o que precisa melhorar. Por exemplo, uma pessoa perde o emprego – por algum motivo desconhecido – e se vê na necessidade de recomeçar. Não basta começar a fazer algo novo sem refletir sobre o motivo que a fez perder o emprego, ou ainda, se existe uma característica individual que dificulte esse processo, ou o que é preciso fazer para contornar a situação externa.

Recomeçar exige de nós uma reflexão sobre quais aspectos devemos melhorar e que atitudes devemos evitar!

Antes de recomeçar – independente de onde for ou por qualquer razão que seja – precisamos ser capazes de identificar as ações que nos levaram a repetir tudo novamente, o porquê de passar por um ponto que já passamos antes. Muitos não compreendem essa necessidade e, simplesmente, estagnam, não conseguem se recolocar ou, voltar para o jogo por muitas vezes não aceitarem que perder faz parte do processo para ganhar.

Nunca recomeçamos do zero, em cada tentativa existe uma acumulação de conhecimento, experiências, momentos, e decisões que tomamos. Toda essa “bagagem” pode ser utilizada para determinar novos aprendizados e pontos de reflexão baseado em tudo o que foi visto. Vale lembrar que recomeçar não é garantia nenhuma de sucesso, mas certamente àqueles que obtiveram o sucesso são aqueles que se propuseram a recomeçar.

Todo recomeço é uma segunda chance que nos é dada para que possamos melhorar em algum aspecto de nossa vida. Ninguém nasceu para ser menos do que pode oferecer ao mundo, e uma prova disso é que todo dia nós temos uma chance para recomeçar. Cabe a cada um identificar o que é preciso fazer e, aqui, não importa em que momento parou, recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo!

War

War é um jogo de estratégia jogado em um tabuleiro onde os jogadores tem na sua frente uma representação similar a do mapa mundi (dependendo da edição do jogo). Os jogadores precisam escolher uma dentre as 18 cartas-objetivo existentes – essas cartas definem o que cada um terá que fazer para sair vencedor – a partir dai, devem movimentar seus exércitos entre os territórios e atacar os oponentes a fim de alcançar o que lhe foi determinado no início.

War, o jogo da estratégia!

Esses dias, abri novamente a caixa – guardada há anos – e voltei a jogar, só que agora com minha filha de 5 anos, e ao longo do jogo pude perceber algumas coisas que com a correria do dia a dia, atividades e obrigações da vida adulta aliados ao excesso de trabalhos, afazeres, compromissos necessários e importantes nos tira pouco a pouco. Algumas dessas observações foram:

  1. Com a carta-objetivo em mãos, todo o esforço deve ser direcionado para o alcance dele.
  2. Buscamos, quase sempre, atacar os oponentes até a última possibilidade que temos.
  3. Existe uma hora que se deve parar de jogar e passar a vez, ganhando ou perdendo.
  4. Durante o jogo, alguns soldados serão deixados de lado em prol do objetivo maior.

Agora um paralelo…

  1. Ao longo da nossa vida criamos vários objetivos, alguns são realizados e outros não. Faça uma revisão mental e tente achar o porquê dos que, por algum motivo, não foram realizados. Em alguns casos, vamos descobrir que não nos esforçamos o suficiente, de outros, simplesmente desistimos, sem ao menos nos dar uma chance.
  2. É preciso ter cuidado ao fazer as coisas de maneira precipitada, ou mal planejada, podemos acabar perdendo tudo e precisar recomeçar do zero. Não há problema quanto a isso, porém, quanto melhor for o nosso planejamento e compreensível for o cenário, poderemos evitar grandes problemas lá na frente.
  3. Por mais que a gente tente, não vamos ganhar todas as batalhas. Nesse momento, precisamos de sabedoria para lidar com as perdas e paciência para buscar novos caminhos, aprendizados, conquistas, e até mesmo, novas pessoas. Com o discernimento claro daquilo que precisamos fazer para melhorar.
  4. Se você vai viajar, certamente, só levará o que for necessário e de acordo com o destino, todo o resto fica pra trás. Assim é na vida, às vezes, precisamos deixar de lado, ou ainda, nos desfazer totalmente de certas coisas para que possamos buscar aquilo que desejamos. A vida não espera pelas nossas escolhas, ela simplesmente acontece.

Muitas outras observações poderiam ser colocadas aqui, mas elas fariam sentido apenas para aqueles que de algum modo tivessem experiências parecidas, como por exemplo: no jogo é você contra todo mundo, eventualmente, contaremos com ajuda dos outros na derrota do oponente, ou ainda, que daqui a pouco os filhos não precisarão de nós para jogar =X Um simples jogo de criança tem muito a ensinar, basta abrir os olhos e enxergar além do que nos é mostrado.

Gostaria

Gostaria vem do verbo gostar, do latim gustãre (tomar o gosto a). Outra informação importante a cerca desse verbo é que ele se encontra no futuro do pretérito do indicativo, ou seja, refere-se a um fato que poderia ter acontecido posteriormente a uma situação passada. Existem ainda, outras possibilidades de uso mas, essa é a que mais gosto. Deixa bem claro que se refere a algo que por algum motivo não aconteceu.

É engraçado perceber como aos poucos vamos acumulando muitos futuros do pretérito ao longo de nossa vida. Muitos desejos, vontades, e objetivos vão sendo deixados para trás por algum motivo qualquer, ou força maior. “Eu gostaria de viajar para Paris”, “Eu gostaria de trabalhar com outra coisa”, “Eu faria tudo diferente se pudesse”, e assim, pouco a pouco, vamos nos cercando de “ias” quando na verdade deveríamos fazer o esforço necessário para acumular futuros do presente – algo que, com certeza irá acontecer ;D

Troquemos o gostaria por gostarei!

Vontades, serão sempre vontades. Até surgir a coragem!

zenilde lima

Isso tem muito a ver com a percepção que cada pessoa tem daquilo que importa para si. Alinhar os esforços para uma direção, com os objetivos claros em mente talvez seja o melhor caminho para alcançar o que se deseja. Não adianta querer abraçar o mundo com as pernas, não dá! Inicialmente, devemos nos limitar a fazer o que está a nosso alcance com aquilo que possuímos, só depois estaremos prontos para fazer algo que realmente queremos.

Imagine alguém que gostaria de pular de paraquedas. A pessoa fica com esse desejo em mente, e sempre que vê um paraquedista imagina a sensação, a adrenalina dos segundos antes do pulo, e pensando no dia que vai pular. Mas… simplesmente não o faz, por algum motivo que desconheça ou, talvez, essa vontade não esteja entre as suas prioridades para realização. Saber identificar as coisas que não são prioritárias para nós, ajuda e muito na decisão de que rumo vamos seguir.

A nossa vida é uma luta constante entre a realização daquilo que queremos versus a não realização – e compreensão – daquilo que achávamos que gostaríamos de fazer em determinado momento. Existem dias que nossos desejos e vontades são maiores do que nossas necessidades, e conciliar nossas vontades com nossas prioridades é de suma importância para um equilíbrio saudável.

Aquele que não tem a coragem necessária para fazer, apenas aprecia o momento, não o vive por completo!