Navegar é preciso

Navegar é preciso
Navegar é preciso! Sempre!

“Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Certamente em algum momento da vida muitos já ouviram essa famosa frase dita inicialmente por Pompeu, que foi um general romano, aos marinheiros amedrontados em viajar durante as guerras existentes na época e, amplamente conhecida por Fernando Pessoa. Num primeiro momento é difícil entender o porquê do fato de viver não ser necessário já que simplesmente vivemos e buscamos viver cada vez mais.

O não entendimento é natural afinal, quando pequenos não temos a real noção da infinidade de possibilidades que a vida nos oferece, em todos os sentidos. Quando crescemos um pouco ficamos muito ocupados em querer ser o melhor de nós mesmos, buscando novas sensações e experiências muitas vezes sem compromisso, apenas pelo prazer instantâneo.

Ao chegarmos na melhor idade (vida adulta) compreendemos de imediato a importância e significado dessa frase. Navegar significa criar novas possibilidades, tornar grande a nossa existência, ir além de onde normalmente iríamos, conhecer pessoas influenciando-as a serem melhores e vice-versa. É fazer parte de algo maior que transcenda o tempo e sirva de inspiração para outras gerações, mesmo que para isso usemos tudo o que temos e o que somos.

Navegar possibilita ainda, de acordo com o navegante, apenas ir. Sem direção ou destino certo, aproveitar o caminho descoberto a cada momento, sentir o vento e o mundo em seu modo mais natural. Aos que preferem o planejamento, navegar permite pensar em situações diferentes que devido a rotina do dia a dia acabamos por fazer no “modo automático”.

Viver acabou se transformando em uma sequência de passos que executados de maneira satisfatória nos permite ter uma vida boa. Navegar é mais que isso! Permite-nos sair do mundo comum por um tempo, oferece novas possibilidades e desafios, liberdade, espaço para respirar, pegar um um fôlego e de fato conseguir navegar para cada vez mais longe.

Arrumar as malas

arrumar as malas
Arrumar as malas: leve somente o necessário

Arrumar as malas para viajar faz com que escolhamos nossas melhores roupas, fazemos as melhoras combinações, pensamos nas inúmeras possibilidades de passeio e oportunidades. Além disso, nos faz ser objetivos em nossa decisão. Precisamos pegar aquilo que será utilizado, aquilo que realmente importa. Mas será que estamos preparados para separar o que é importante para nós?

O processo de arrumar as malas está presente em nossas vidas desde o nascimento quando nossos pais antes de ir para a maternidade pegaram tudo (e até um pouco mais) e levaram consigo para receber o filho recém-nascido. A preocupação é grande, não se sabe ao certo o que pode ser utilizado, o que é importante e o que não é. Apenas se fez a mala contando que tudo ali seja suficiente.

Conforme os anos vão se passando, acumulamos coisas ao longo do caminho e vamos guardando em nossa mala. Em um determinado ponto o peso pode ficar insuportável, ficamos muitas vezes esperando que alguém possa nos ajudar a dividir esse fardo. Contar com esse auxílio é difícil pois, nesse ponto todas as outras pessoas tem a sua própria mala para carregar.

Se a mala fica muito pesada temos duas alternativas. Podemos pagar o preço pelo excesso de peso e ficamos com tudo o que queremos ou, podemos manter somente aquilo que de fato é importante. Mas como decidir entre tantas coisas importantes na vida? Arrumar as malas dá trabalho. É preciso dedicar um tempo para isso.

Uma alternativa é viajar de mochila, só tem vantagens. Não se paga por excesso de peso, se ficar muito pesada nem dá para carregar, cabe em qualquer lugar (do lado do sofá ao canto de um quarto), se houver extravio o dano é menor (afinal não tem tudo de importante mesmo), é fácil de arrumar e muito útil para passeios curtos. Quando somos pequenos, nossa mala é pequena. À medida que crescemos a quantidade de coisas que nos interessam e nos prendem vão aumentando. Cabe a nós decidir o que colocar e o que pode ser deixado de lado =)

Qual é o seu valor?

“Todo homem tem seu preço” diz a frase dita por alguém. Muitas vezes fazemos coisas e estabelecemos relações que não valem o nosso esforço, tempo e dedicação. Na pressa diária esquecemos daquilo que realmente importa, muitas coisas tomam o nosso tempo mas, poucas de fato merecem a nossa atenção.

Qual é o seu valor?
Qual é o seu valor? Tens a resposta?

Vivemos na época do “mais”. As pessoas vivem mais, trabalham mais, ganham mais, querem comprar e ter mais coisas, expõem-se mais nas redes sociais mostrando absolutamente tudo da sua vida para todos a qualquer momento, sem filtro. O que vale muitas vezes são aqueles 15 segundos de curtidas e compartilhamentos que transcendem o poder da comunicação e os levam para outros lugares e realidades. Ao mesmo passo, mais jovens estão sofrendo de depressão, estão se matando cada vez mais e, pessoas estão cada vez mais isoladas umas das outras.

Não percebemos mas gastamos muito do nosso tempo e pouco da nossa não atenção. Deixamos passar alegrias únicas para nos concentrar em um instante que nem nos agregaria tanto assim. Essas coisas costumam ter um preço (consequências) mas pouco valor (combustível que nos motiva, melhora enquanto pessoas, momentos especiais). A vida não precisa ser economizada para amanhã, ela acontece sempre no presente.

Precisamos saber responder às perguntas: “Qual é o meu valor?”, “O quê me paga no fim do dia pelo estresso suportado?”, “O quê me agrega e me faz crescer enquanto pessoa?”, “O quê ou quem merece minha atenção?”, “O quê eu quero fazer?”. Depois de responder a esses questionamentos, seremos capazes de não nos limitarmos a ter uma vida medíocre e, poderemos dançar, sorrir e brincar tendo a certeza que estamos investindo nosso tempo com coisas que tenham valor para nós!

Acaso

Até em que ponto as coisas acontecem de maneira planejada? Será que a quantidade de acasos não é maior do que a gente imagina? E em que aspecto os tantos acasos impactam em nossas decisões e têm influência em nossas vidas?

Por definição, acaso (do latim casu) é algo que surge ou, acontece sem motivo ou explicação aparente. Quantas situações em nossas vidas somos expostos ao acaso que poderiam ter benefícios incalculáveis? Que mesmo com o mais rigoroso dos planos não nos damos conta disso? Simplesmente pelo fato daquilo não estar planejado, não ter sido pensado antes ou, não caber no planejamento de gastos?

Muitas vezes sentimos a necessidade de fazer as coisas conforme o nosso plano, seguimos um roteiro planejado antecipadamente que contém ou, deveria conter, tudo aquilo que precisaremos para aquele período de tempo… E refazemos isso repetidamente ao longo de nossas vidas, condicionando-nos à limitação de um plano que julgamos ser o melhor para nós. O ato de planejar é válido! É uma maneira de prevenção contra às possíveis anormalidades que podem nos atingir inesperadamente. Estar preparado é importante mas a vida vai muito além dos nossos planos.

acaso
Acaso: lugar nenhum também é caminho

“O absurdo e a incerteza estapeiam a nossa face a cada esquina” Albert Camus (1913–1960)

O acaso propriamente dito possui três características importantes: 1) É um evento imprevisível e raro apenas para quem não o previu, 2) O evento se torna compreensível somente após ter acontecido e, 3) O evento tem um impacto extremo para quem o sofreu. Nossa vida não segue uma pauta milimétrica e previsível, também existe o acaso, um acontecimento matematicamente improvável no qual é quase impossível prever o seu efeito.

A incerteza do acaso gera uma dificuldade de assimilação daquilo que já estamos habituados, pode nos confundir e criar expectativas sobre algo até então desconhecido. De todo modo é melhor estarmos preparados para os acasos da vida em vez de só reagir diante dos eventos, nesse aspecto o planejamento é importante. E tão importante quanto o planejamento é ter a mentalidade flexível, pois, muitas vezes, são nesses instantes da vida que surgem oportunidades únicas.