Pressa

Pressa, pressa, pressa… Definitivamente, vivemos em um mundo onde a necessidade para tudo parece ser para ontem. Estamos ficando cada vez mais ansiosos por resultados, realizações e conquistas pessoais, subir de degrau na vida, desejos que nem sabemos ao certo se queremos realizar mas, o imediatismo, a exposição exacerbada da vida e, a possibilidade infinita de opções nos traz a falsa sensação que precisamos fazer, mas nem sempre é verdade.

A pressa, muitas vezes, pode tirar a beleza do momento.

Uma frase que eu acho muito legal é: “Não compare os seus bastidores com o palco de outra pessoa”. Quem olha de fora, desconhece todo o processo pelo qual alguém passou para chegar onde está agora. E o que de fato importa não é o resultado em si, mas o processo feito para alcançá-lo. Uma vez que tudo é feito como se deve, os resultados tendem a aparecer naturalmente, como consequência de todo esforço empregado.

Ai que mora o problema… Estamos em um ritmo onde tudo muda a todo instante. em todos os aspectos. Passamos por diversas mudanças: climáticas, políticas, econômicas, sociais e individuais. O processo para criação e usufruto de algo está sendo substituído por momentos líquidos e sem pertencimento a algo mais profundo. Por exemplo, antigamente, nossos pais trabalhavam durante a vida toda para usufruir de uma aposentadoria e aproveitar a “melhor idade”, hoje, queremos aproveitar ao máximo o agora sem importar tanto com o futuro.

Não é uma comparação sobre qual atitude é melhor, afinal, são outros tempos…

Para se formar um bebê demora nove longos meses e, depois desse tempo, ainda tem todo um trabalho de acompanhamento, cuidados e, educação para que ele tenha condições de se tornar uma boa pessoa – não existe garantia de nada. Coisas boas levam tempo para acontecer porque precisam justamente de tempo para amadurecer, criar raízes, vínculos fortes o suficiente para garantir proteção, reconhecimento do ambiente e internalizar ideias para que deixem de ser vontade e passem a fazer parte de um propósito.

A vida não é uma corrida de 100 metros onde precisamos empregar todas as nossas forças para chegar mais rápido até o pódio. E, dificilmente, o vencedor consegue correr logo em seguida. A vida está mais para uma maratona e, assim como Fidípedes que morreu após concluir a distância do campo de batalha de Maratona até a cidade de Atenas para informar sobre a vitória contra os persas, todos nós iremos… Essa corrida porém, é a única coisa na qual ninguém tem pressa em realizar.

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo

josé saramago

Tic Tac

A cada manhã, somos agraciados com algo que é capaz de possibilitar uma grande quantidade de opções a cada um, o tempo. Entre tantas coisas que nos diferem enquanto pessoas, uma outra que podemos considerar é a maneira como cada um o utiliza, mais precisamente 86400 segundos. Apesar de ser totalmente neutro, parece que para uns o tempo passa mais rápido do que para outros, beneficia alguns e prejudica os demais. Será que é assim mesmo?

Diversos tempos reunidos em um mesmo instante

A capacidade humana de evoluir e se adaptar, o aprendizado necessário para que possamos crescer e fazer coisas novas, a maturidade para uma correta tomada de decisão diante de situações inesperadas, a confiança, a cura, o perdão… levam tempo para acontecer e levamos mais tempo ainda para compreender. Em oposição a nossa vontade natural de correr, o tempo parece simplesmente caminhar a passos lentos e despretensiosos, mas arrasta consigo quem não o leva em consideração.

A percepção de passagem do tempo fica mais rápida à medida que ele passa por nós. Por exemplo, quando somos um bebê de 2 anos de idade, 1 ano representa cinquenta por cento das nossas vidas, correto? Assim, conforme os anos passam, cada vez mais o mesmo período de tempo passa a representar uma quantia cada vez menor. Essa é uma explicação possível para aquele pensamento: “- Nossa, como o ano passou rápido!”. Não foi o ano que passou rápido, ele só representa um pouco menos do que antes.

Relacionando a passagem do tempo com a importância que damos a ele, entramos em uma relação inversa, ou seja, quanto menos ele representa diante do todo, mais queremos que ele seja importante. Acompanhamos o crescimento dos nossos filhos desde o início e, sempre falamos: “- Nossa, parece que foi ontem…”. E é verdade, a pouca representatividade de tamanho que o tempo vai adquirindo, influencia a nossa percepção da distância entre os acontecimentos.

O tempo passa para todos, mas não é igual para ninguém!

JP CASTRO

Não podemos simplesmente ignorar a ação do tempo em nossas vidas e, se assim o fizermos, ficaremos presos em um momento que já não existe mais, tudo passa e o tempo sabe bem disso. As pessoas dão valor diferente ao tempo que possuem, gastam como bem entendem e, mesmo não sendo possível medir de forma justa, ele é soberano. Não devemos desperdiçá-lo em vão, afinal, não teremos tempo para realizar todos os nossos projetos ou, dizer tudo a quem desejamos. A decisão sobre o proveito é individual, mas não se demore muito aqui, o tempo pode te levar pra longe depressa.

Maturidade

maturidade
Maturidade só vem com o tempo

Com o tempo a gente aprende a gostar da maturidade. Aprendemos que por mais que queiramos muitas coisas, nem tudo que nos é apresentado nos convém. Não que não seja possível ter, mas simplesmente, não queremos e, essa decisão é suficiente. Passamos a não querer gastar tempo e energia com algo que não nos engrandece enquanto pessoas. Isso serve para diversos aspectos em nossa vida. Aquela festa de virar a noite no fim de semana, trabalhos e situações que não nos satisfazem, amigos que não são tão amigos assim, conversas chatas e cansativas, etc.

Algo engraçado é que quando somos crianças imaginamos que ser adulto é demais. Até é, mas imaginamos pelos motivos errados. Pensamos que se pode fazer tudo, a todo momento, sem dar satisfação pra ninguém, gastar o dinheiro com o que quiser, isso não é ser adulto, é ser jovem. Isso tudo pode parecer ótimo, mas é superficial, insustentável ao longo do tempo e, assim como a beleza, a juventude passa. O que fica é o aprendizado (aquilo que nos torna maduros de fato). Maturidade está na mente e não na idade.

Maturidade é saber dizer não àquilo que não se quer e ficar tranquilo com isso. É trocar intensidade por constância, aparência por essência, vontade por objetivo, ansiedade por calma, corpo por alma. É estar focado e fazer o possível para dar certo, se não der, não tem problema, tentamos novamente em um outro momento =D É ter algo maior com o que se preocupar, responsabilidades, um propósito de vida que direciona nossos esforços. Nos permite ainda, olhar com menos ilusões e aceitar com menos sofrimento as coisas ao nosso redor.

Mesmo com todos os benefícios que a maturidade oferece é preciso não ser maduro demais a ponto de cair. Ela não chega com a idade cronológica ou com o quanto vivemos mas sim, com o quanto aprendemos ao longo do caminho. Ficamos mais sábios e preparados para encarar qualquer desafio sabendo que é possível chegar cada vez mais longe!