Perdas

Qual foi a maior perda que você já teve? Não sei se essa é uma pergunta frequente, ou talvez, nem passe pela nossa cabeça saber o quanto perdemos algo ou, alguém. É até compreensível ignorarmos e evitarmos falar no medo de perder, isso mexe com algo em nós que não sabemos ao certo do que se trata. Todos vislumbramos à linha de chegada, mas não nos preparamos para as perdas no meio do caminho.

Por exemplo, se temos uma perda financeira em qualquer tipo de investimento, o primeiro pensamento que vem a nossa cabeça é de desistir daquilo e partir para outra. Passamos a falar mal e, transmitimos uma ideia errada para outras pessoas. Muitas vezes com essa atitude deixamos de aprender algo novo, entender em que ponto nós erramos e quais comportamentos precisamos melhorar para obter êxito.

As perdas fazem com que pensemos melhor em como estamos agindo

Existem vários momentos de perda ao longo da vida. Perda de pessoas que amamos, perda de dinheiro, perda da fé e, em alguns casos, perda até mesmo da vontade de viver. Por mais dolorosa que seja uma perda, ela pode vir seguida de um pouco de sabedoria que com certeza nos engradece e pode nos ensinar muito.

Essa sabedoria quando bem aplicada nos permite perceber onde e por que erramos, se é necessário que adotemos uma estratégia mais adequada para lidar com projetos, se precisaremos mudar nosso comportamento e atitude ao lidarmos com algumas pessoas. Devemos entender que perder faz parte do jogo, todas as escolhas têm perdas.

Planejamos viagens, festas, casa dos sonhos, casamentos etc., coisas boas para se pensar. Cada uma dessas escolhas implicará em algum tipo de perda ou, renúncia. Devemos ser sinceros com nós mesmos e aceitar que às vezes nem tudo sai como o planejado, o idealizado, o sonhado mas nem por isso a vida não merece o nosso melhor!

Caos

O caos constrói! Mostra as vulnerabilidades, faz com que tenhamos que tomar decisões atípicas e muitas vezes não pensadas anteriormente, requer nossa adaptação para cenários contrastantes com a nossa realidade, nos joga para o alto e nos tira da base confortável que nos sustenta. Cria opcionalidades que se não estivermos preparados, limita o nosso crescimento, deixando-nos em um limbo até que tudo volte à normalidade ou, quase isso.

caos
caos: O bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo no espaço de tempo de semanas.

Em meio à crise de coronavírus que se espalhou pelo mundo, tivemos nossa rotina alterada, formas de comunicação se expandiram tornando-se cada vez mais necessárias, cresceu em nós uma vontade de estarmos juntos e presentes em todos os momentos, encontros, assistindo a lives, vídeo-chamadas, etc. Mas por quê só agora? Apenas pela ameaça real cada dia maior?

O mais confuso disso tudo é ver que uma doença (uma coisa ruim, o caos) faz com que sintamos a necessidade de fazer coisas que já podíamos fazer normalmente, mas agora (como estamos com a nossa liberdade limitada a um local físico) ganham uma importância nunca vista antes. Talvez, as redes sociais devem estar em seu auge de acesso e consumo de conteúdo desde o período em que foram lançadas.

Independente do caos pelo qual a gente esteja passando é preciso que usemos todo esse aprendizado para que nos tornemos pessoas melhores depois que tudo isso passar. Não apenas por medo de ficarmos presos ou, termos qualquer direito restringido novamente e, sim, porque somos seres humanos e precisamos uns dos outros, em nossa plenitude e tudo que isso representa.

“O caos é apenas uma ordem a decifrar”

José Saramago

Até lá, podemos descobrir outras alegrias (sim, em casa) que são tão importantes e gratificantes quanto àquela live “imperdível”. Não devemos esperar o caos passar para voltarmos a sermos felizes, podemos criar outras rotinas, aprender, experimentar, brincar. A felicidade não está no ponto de chegada, está no caminho, todo mundo sabe disso!

Jogo da vida

Se a nossa vida pudesse se representada por meio de um jogo, certamente o jogo da vida seria um jogo de tabuleiro. Mas não desses jogos como: resta 1, damas ou xadrez, nos quais o aprendizado e habilidades dos jogadores tem muito peso sobre o resultado. É fácil de perceber que as chances de um jogador experiente ganhar sobre um jogador iniciante são bem maiores, não é verdade?

E qual jogo tem mais a ver com a nossa percepção de vida? A resposta é: jogos com dados! Qualquer um deles, pokemon, detetive, banco imobiliário, jogo da vida (sim, tem até um jogo com esse nome). O motivo? Pelo simples fato de usarmos os dados para nos movimentarmos. Com isso, não temos controle total sobre o que pode acontecer, não depende unicamente de nossas decisões, tem uma variável que não pode ser controlada mas que nos afeta diretamente.

jogo da vida dados
jogo da vida: sorte e azar

Os dados representam a aleatoriedade. Aqui, tanto faz se você é um jogador experiente ou, está começando a jogar pela primeira vez. Todos começarão do mesmo ponto inicial. A sua experiência não valerá de nada no jogo se só tirar valores ruins nos dados. Talvez o jogador iniciante tenha mais “sorte” e até, consiga um resultado melhor.

No jogo da vida, porém, não começamos do mesmo ponto, alguns tem mais condições, outros nem tanto. Ainda que não seja possível controlar completamente a sorte ou, azar envolvido, pois são frutos de resultados anteriores que refletem em nós, podemos tomar decisões que influenciam diretamente nos resultados seguintes: pessoas com as quais nos relacionamentos, profissão que seguimos, sonhos a alcançar, problemas a resolver.

Cabe unicamente a nós escolhermos como jogar. Alguns vão trapacear, pulando algumas casas, usar um dado viciado para conseguir o resultado desejado, etc. Outros irão se esforçar para aprender e tentar fazer o seu melhor, jogando da melhor forma possível. Ainda que não zere esse jogo, tudo isso não será em vão, pois, servirá para a próxima rodada.

Carpe Noctem

A cada novo ciclo é possível rever todo o caminho trilhado até então, podemos ainda rever o que deu errado e agradecer pelos objetivos alcançados. Muitas vezes deixamos de mostrar e praticar essa gratidão e desviamos nossa atenção para coisas e pessoas que não nos agregam e nem nos engrandecem enquanto seres humanos.

No dia a dia somos expostos a situações adversas que requerem nossa atenção de maneira única, pensamentos e atitudes direcionadas que simplesmente nos cansam. Às vezes, uma fala inesperada já é suficiente para fazer o chão desabar sob nossos pés. Devemos ater nossa atenção às coisas que nos fazem bem, àquilo que nos faz brilhar os olhos e faz com que tenhamos que pensar em formas de executar a qualquer custo por satisfação pessoal.

carpe noctem
carpe noctem: aproveite a noite

Estamos cercado de obrigações, deveres, coisas e comportamentos que não gostamos mas, simplesmente toleramos e essa aceitação forçada faz com que elas acabem fazendo parte do nosso ser. Atrapalham nossa vida, influenciam nossas decisões, nossa saúde. Chega disso, não!?

No meio disso tudo, os dias vão se passando e cabe a nós escolher como vamos passar pelos dias… Devemos extrair e direcionar nossos esforços para o que há de melhor em nós, manter o foco naquilo que realmente nos agrega valor e nos faz crescer cada vez mais e, sempre que possível reavaliar tudo de novo.

Arrumar as malas

arrumar as malas
Arrumar as malas: leve somente o necessário

Arrumar as malas para viajar faz com que escolhamos nossas melhores roupas, fazemos as melhoras combinações, pensamos nas inúmeras possibilidades de passeio e oportunidades. Além disso, nos faz ser objetivos em nossa decisão. Precisamos pegar aquilo que será utilizado, aquilo que realmente importa. Mas será que estamos preparados para separar o que é importante para nós?

O processo de arrumar as malas está presente em nossas vidas desde o nascimento quando nossos pais antes de ir para a maternidade pegaram tudo (e até um pouco mais) e levaram consigo para receber o filho recém-nascido. A preocupação é grande, não se sabe ao certo o que pode ser utilizado, o que é importante e o que não é. Apenas se fez a mala contando que tudo ali seja suficiente.

Conforme os anos vão se passando, acumulamos coisas ao longo do caminho e vamos guardando em nossa mala. Em um determinado ponto o peso pode ficar insuportável, ficamos muitas vezes esperando que alguém possa nos ajudar a dividir esse fardo. Contar com esse auxílio é difícil pois, nesse ponto todas as outras pessoas tem a sua própria mala para carregar.

Se a mala fica muito pesada temos duas alternativas. Podemos pagar o preço pelo excesso de peso e ficamos com tudo o que queremos ou, podemos manter somente aquilo que de fato é importante. Mas como decidir entre tantas coisas importantes na vida? Arrumar as malas dá trabalho. É preciso dedicar um tempo para isso.

Uma alternativa é viajar de mochila, só tem vantagens. Não se paga por excesso de peso, se ficar muito pesada nem dá para carregar, cabe em qualquer lugar (do lado do sofá ao canto de um quarto), se houver extravio o dano é menor (afinal não tem tudo de importante mesmo), é fácil de arrumar e muito útil para passeios curtos. Quando somos pequenos, nossa mala é pequena. À medida que crescemos a quantidade de coisas que nos interessam e nos prendem vão aumentando. Cabe a nós decidir o que colocar e o que pode ser deixado de lado =)

Interseção

No dicionário, a palavra interseção pode ser definida de duas maneiras. A primeira, como “o encontro de duas linhas ou de dois planos que se cruzam” e, a segunda, “corte, principalmente quando feito pelo meio do objeto”. Já, na nossa vida pode ter um significado muito maior.

Durante toda a nossa existência, ao percorrer os caminhos que nos são apresentados, somos postos diante das interseções da vida. Aquele ponto comum entre duas retas com sentido, direção e intensidades diferentes que por um momento se cruzam, podendo misturar forças e por um instante serem únicas. Geralmente essas interseções nos mostram alguma possibilidade futura a partir daquele ponto, a qual só será possível descobrir se a linha tiver sua trajetória alterada.

interseção
Interseção: pegou o melhor caminho?

Cada interseção encontrada em nossas vidas são as decisões que tomamos. Muitas vezes não acertamos, por inexperiência ou, curiosidade pelo desconhecido, até mesmo a pressa do dia a dia nos influencia. Inúmeros são os motivos mas só há uma certeza. Que a partir daquele ponto nada será como antes, semelhante ao oceano que ao receber a menor das gotas de chuva já se encontra modificado. Da mesma forma acontece conosco, em nossas relações, encontros e despedidas, sorrisos e acenos, gentilezas e olhares.

Cada um desses pontos de decisão tem a possibilidade de criar infinitos caminhos, inicialmente não planejados, podendo nos levar a destinos inimagináveis para a nossa realidade. Por um instante são capazes de transformar um sonho em algo concreto. Esse mesmo encontro também é capaz de trazer à toa pensamentos até então esquecidos no âmago do nosso ser e que só são postos à mostra quando diferentes linhas se interligam formando um pequeno ponto.

Nem sempre é possível identificar com facilidade o momento certo do cruzamento dessas linhas em nossas vidas. Então, fiquemos atentos! Com um olhar mais cuidadoso pode-se enxergar além de um simples ponto. Pode-se ver todo o caminho daquela linha até aquele instante, assim como, todo o caminho possível a ser criado daquele ponto até o infinito.

Hiato…

Na língua portuguesa, hiato pode ser definido como o encontro de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes. Na anatomia, é uma fenda ou abertura no corpo humano. Essa mesma palavra costuma ser utilizada quando artistas (geralmente no auge da carreira), sentem que precisam “dar um tempo”, dedicar-se a projetos pessoais ou, ainda, buscar novos desafios. 

hiato
O hiato permite pensar fora da caixa!

Muitas vezes em muitos momentos não nos damos conta mas nos encontramos em um completo hiato em nossa vida. Tudo é tão imediatista (igual ao preparo de macarrão instantâneo) que paramos de pensar em nossos projetos pessoais, deixamos de apreciar conversas, criar relações e experiências que nos engrandecem enquanto seres humanos e pode nos motivar cada vez mais dia após dia.  Quando percebemos estamos diante de pessoas que nos fazem sorrir simplesmente pelo olhar, nos deixam ansiosos só no pensar e isso nos deixam maravilhados.

E por que afinal, isso nos encanta tanto!?

Muitas vezes porque estamos imersos em um profundo hiato sem nos darmos conta. Esquecemos a sensação e da alegria de conversar com alguém (todos estão sempre atrasados), temos a disposição tanta tecnologia que nos conecta numa velocidade cada vez mais rápida, entretanto, faz com que sejamos como ilhas, cada um no seu quadrado. Certa vez alguém disse: “- Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo”. Trocamos prazeres simples como um jogo de xadrez, por likes e curtidas nas redes sociais.

É importante reconhecer a existência do hiato em nossas vidas. Ele nos faz refletir sobre diversos aspectos que nos circundam e que caminho estamos seguindo. Contudo, o mais importante é conseguir enxergá-lo a tempo (para aqueles que estão e não sabem) e perceber a evolução pela qual passamos para que assim possamos sair dele, fechar a fenda existente fruto de toda insatisfação e melhorarmos cada vez mais enquanto pessoas.

Do que a gente precisa na vida?

Com o passar do tempo a gente percebe que precisa de menos coisas do que realmente achamos. Quando somos crianças precisamos de um sapato por ano, roupa nova de tempos em tempos, afinal, estamos em fase de crescimento e tudo passa muito rápido. Precisamos ainda de remédio para as milhares dores de garganta, ouvido, febre, vermes e tantas outras doenças que nem conhecemos.

sempre em busca do que precisamos
sempre em busca do que precisamos

Quando crescemos, e nos tornamos adolescentes, precisamos de liberdade para expressar nossa opinião e sermos ouvidos, o espaço da nossa casa já não é suficiente para “brincarmos” de gente grande. Quando mais um pouco crescemos, viramos jovens, viramos o futuro da nação, e com isso o peso de se precisar de responsabilidade.

Na idade adulta, precisamos apenas seguir em frente…

Precisamos de uma borracha para apagar os erros cometidos no passado, um espelho para admirarmos a beleza existente em cada um de nós, um amigo para ouvir nossas lamúrias e rir de nossas palhaçadas,
precisamos ter medo, cautela, não estamos mais sozinhos, haverá alguém que depende da gente, precisamos ter coragem para recomeçar e levantar a cada queda sofrida, precisamos de uma dose de alzheimer para esquecer quem nos fez sofrer, e, um pouco de alegria que em excesso é loucura!